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Questão Christie




Imagem: Imperador Dom Pedro II, Embaixador Christie e Rainha Vitória.

A Questão Christie foi um impasse diplomático ocorrido entre o Império do Brasil e o Reino Unido entre os anos de 1862 e 1865. As relações entre Brasil e Inglaterra foram bastante conturbadas ao longo do século XIX. É preciso lembrar que a coroa britânica insistiu e vigiou o tráfico atlântico, afetando as relações comerciais e econômicas brasileiras. A Lei Eusébio de Queirós, datada de 1850, é um exemplo das demandas inglesas que surtiram efeitos no Brasil, com a proibição do tráfico de escravos. Essas interferências inglesas já geravam descontentamento por parte de alguns brasileiros, interessados na mão-de-obra escrava e no negócio lucrativo do tráfico atlântico.
Mas não só a querela em torno da escravidão foi motivo para conflitos entre Brasil e Inglaterra. Em 1861 o naufrágio de um navio inglês chamado Prince of Walles na praia de Albardão no Rio Grande do Sul, que teve sua carga saqueada e a tripulação não encontrada, foi um ponto inicial do descontentamento inglês com o império brasileiro.
Além disso, em 1862 três marinheiros ingleses dirigiam-se à sua embarcação na Tijuca, Rio de Janeiro, e passando por uma barreira policial não atenderam ao chamado dos militares brasileiros, que solicitavam sua identificação. O fato levou brasileiros e ingleses à luta física, e acabou com a prisão dos britânicos. Este acontecimento serviu para deixar a Inglaterra descontente com as atitudes brasileiras, já incomodada desde o naufrágio da embarcação Prince of Walles.
O nome que esteve à frente deste impasse diplomático foi o de William Douglas Christie, embaixador britânico no Brasil, que fez dos incidentes internos conflitos internacionais. Christie culpou o Império brasileiro pelo naufrágio e acusou-o de negligência. O embaixador exigiu uma indenização pela carga perdida e punição aos militares responsáveis pela prisão dos três ingleses.
Inicialmente D. Pedro II negou-se a pagar as indenizações e teve apoio da população fluminense, descontente com a postura dos ingleses. Após ter as reparações negadas pelo Imperador, Christie deu sua resposta confiscando cinco navios mercantes brasileiros.
D. Pedro II decide pagar a indenização, mesmo sob protestos daqueles que defendiam a honra e a soberania nacional. Mas, em relação aos militares brasileiros não houve negociação. O imperador entendia que atender aos pedidos exagerados de Christie significava atender uma vontade estrangeira, e que tal fato colocaria a soberania nacional em descrédito.
Mesmo pagando a indenização, Pedro II solicitou explicações à Inglaterra sobre o comportamento de seu embaixador no Brasil. Por conta disso o imperador solicitou o fim das relações diplomáticas com a Inglaterra, e para isso teve apoio da população. O imperador solicitou, para resolução deste impasse, uma mediação internacional.
Para esta mediação o Rei Leopoldo I da Bélgica foi escolhido como juiz da questão. Em 18 de junho de 1863 declarou o Brasil vencedor do impasse, o que levou a um pedido de desculpas oficial, por parte da Rainha Vitória em 1865, que encerrou o impasse diplomático.
Victor Meirelles, artista plástico brasileiro, nascido em Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis) em Santa Catarina ficou bastante conhecido por suas pinturas históricas. É dele, por exemplo, a obra A primeira missa no Brasil, datada de 1861 e que faz uma interpretação do que teria sido a primeira missa ocorrida na América Portuguesa em 1500. O artista viveu no século XIX e foi responsável por retratar através de imagens batalhas, eventos e conflitos, além da vida privada do Rei, pintando, por exemplo, o casamento de sua filha Isabel. Meirelles, já em 1864, no auge da Questão Christie, retratou o impasse em questão em um estudo. O fato de a Questão Christie ser retratada por Meirelles aponta para a importância do evento para o Império Brasileiro.


Referências:
http://www.revistadehistoria.com.br/secao/almanaque/arrogancia-britanica
http://seer.cfh.ufsc.br/index.php/sceh/article/viewFile/576/224
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